Muito antes dos corretores de texto e da extraordinária evolução da inteligência artificial no mundo jornalístico, os jornais diários tinham, entre seus principais quadros, um copidesque para cada editoria.

Tratava-se, portanto, de um profissional bom de português e redação, responsável pelo conteúdo que fazia o deleite dos leitores mais exigentes. Às vezes, para além da correção gramatical e de eventuais ajustes redacionais, o copidesque riscava frases e expressões que, embora corretamente grafadas, depunham contra a linha editorial. A introdução, que reputo necessária, ilustra, em tempos atuais, como um dos maiores portais de notícias do país terceirizou Lian Tahan, uma espécie de copidesque de luxo, para atender aos interesses do mercador da República, Daniel Vorcaro, de modo a conformar a produção aparentemente jornalística em estratégia de defesa e ataque do maior e mais auspicioso esquema que abalou o sistema financeiro brasileiro. O aluguel conferiu vultosas quantias ao famoso site de notícias das mídias digitais, revelando que o velho e antigo “jabá” (expressão que designa compra de jornalistas) continua vigendo, principalmente entre a chamada “mídia Pix”, alcançando de tabloides aos mais destacados meios de comunicação e subvertendo a máxima segundo a qual o jornalista deve ganhar a vida e escrever, e não escrever para ganhar a vida!

Por Diogo de Castro.

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