
Parte dos jornalistas, metida a comentarista, classificou o debate da TV Bandeirantes, realizado na noite do último domingo (18), como de baixo nível, sob o argumento de que a população queria ouvir “propostas”.
A assertiva é falsa e mentirosa, pois não encontra respaldo nem na própria natureza humana, tampouco na essência belicosa que caracteriza a reta final de uma campanha eleitoral entre dois modelos de governo totalmente antagônicos.
As pessoas não param diante de uma TV para assistir a seus gladiadores “falando das flores”, muito menos afinam os ouvidos para melodias ou promessas vãs. Não, em absoluto!
As pessoas normais — aqui entendidas como aquelas que não se escondem atrás da hipocrisia — estão pouco se lixando para esse ideário de debate celestial, concebido por quem pretende transformar o confronto político em um recital de boas maneiras.
O debate, no formato da Band, guardadas as devidas proporções, é a vida como ela é, sem maquiagem. E a torcida é espectadora de momentos capazes de revelar as fragilidades humanas em toda a sua extensão, sem o anteparo dos marqueteiros.
Esse é um sentimento intrínseco à natureza humana, que se manifesta, em maior ou menor grau, no nosso cotidiano, inclusive entre os hipócritas que dizem o contrário, mas que, diante do primeiro embate, transformam-se em lobos vorazes.
Quem não estiver disposto a vivenciar o calor dos debates, com propostas, quando cabíveis, xingamentos e até cadeiradas, que procure um cemitério, onde o silêncio ecoa entre aqueles que um dia tiveram um coração pulsando.
O resto é conversinha besta, de gente falsa, disfarçada de bom moço!
Por Diogo de Castro