Brazilian presidential candidates Flavio Bolsonaro and Luiz Inacio Lula da Silva take part in a presidential debate, ahead of the runoff presidential election, in Sao Paulo, Brazil, October 18, 2026. REUTERS/Jean Carniel

Parte dos jornalistas, metida a comentarista, classificou o debate da TV Bandeirantes, realizado na noite do último domingo (18), como de baixo nível, sob o argumento de que a população queria ouvir “propostas”.

A assertiva é falsa e mentirosa, pois não encontra respaldo nem na própria natureza humana, tampouco na essência belicosa que caracteriza a reta final de uma campanha eleitoral entre dois modelos de governo totalmente antagônicos.

As pessoas não param diante de uma TV para assistir a seus gladiadores “falando das flores”, muito menos afinam os ouvidos para melodias ou promessas vãs. Não, em absoluto!

As pessoas normais — aqui entendidas como aquelas que não se escondem atrás da hipocrisia — estão pouco se lixando para esse ideário de debate celestial, concebido por quem pretende transformar o confronto político em um recital de boas maneiras.

O debate, no formato da Band, guardadas as devidas proporções, é a vida como ela é, sem maquiagem. E a torcida é espectadora de momentos capazes de revelar as fragilidades humanas em toda a sua extensão, sem o anteparo dos marqueteiros.

Esse é um sentimento intrínseco à natureza humana, que se manifesta, em maior ou menor grau, no nosso cotidiano, inclusive entre os hipócritas que dizem o contrário, mas que, diante do primeiro embate, transformam-se em lobos vorazes.

Quem não estiver disposto a vivenciar o calor dos debates, com propostas, quando cabíveis, xingamentos e até cadeiradas, que procure um cemitério, onde o silêncio ecoa entre aqueles que um dia tiveram um coração pulsando.

O resto é conversinha besta, de gente falsa, disfarçada de bom moço!

Por Diogo de Castro

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