
Desesperado para escapar de implacável predador, o escorpião suplicou ao sapo que, pelo amor de Deus, o conduzisse até a outra margem do rio, sob pena de perecer.
Para os mais desavisados, tal argumento se mostrava plausível, nada obstante a má fama do aracnídeo, do qual o sapo já havia sido vítima.
Nesse contexto, o sapo, inicialmente, relutou em atender aos apelos do escorpião, ponderando que não se disporia a levá-lo nas costas, temendo ser mortalmente ferroado no meio da travessia.
Astuto, o escorpião argumentou convincentemente que jamais cometeria semelhante asneira, já que a morte do sapo também significaria a sua própria morte!
E assim, escorpião e sapo, antípodas desde sempre — ainda que, por algum tempo, tenham convivido como Romeu e Julieta —, partiram para a travessia. Quando tudo parecia transcorrer normalmente, o escorpião ferroou o sapo, que, antes de morrer e ser levado pela corredeira, ainda indagou:
— Por que você me ferroou? Agora, morreremos os dois!
— É a minha sina — respondeu o escorpião, enquanto também morria afogado!
Com o máximo respeito aos personagens, qualquer semelhança dessa parábola com o que aconteceu no Maranhão entre dinistas e brandolistas não é mera coincidência.
Inapelavelmente, ambos sucumbiram, tal e qual o escorpião e o sapo da parábola!
Por Diogo de Castro