Antes de discorrer sobre o tema principal, convém fazer uma rápida explanação acerca do termo que dá título a este artigo.

Sem delongas, a expressão “pelego” designa o líder sindical que, furtivamente, alia-se ao patrão em troca de benesses, embora sustente um discurso arraigado de defesa da categoria trabalhadora que afirma representar.

Foi nesse contexto que surgiu Luiz Inácio Lula da Silva como líder operário de expressão nacional, fundador da CUT (Central Única dos Trabalhadores), em oposição ao peleguismo sindical, inicialmente associado à CGT e, posteriormente, à Força Sindical. Esta última, na visão crítica aqui defendida, representava um simulacro de combatividade sindical, em contraste com o movimento operário que marcou o ABC Paulista nos anos 1980.

Traçando um paralelo, é possível sustentar que a defesa tardia e oportunista do fim da chamada jornada 6×1, articulada desesperadamente a poucos dias do segundo turno das eleições, não passa, sob essa perspectiva, de uma manifestação de peleguismo por parte do presidenciável petista.

Mesmo podendo ter atuado anteriormente e estando agora no exercício de seu terceiro mandato presidencial, Lula, a julgar pelo arrocho salarial, pela alta carga tributária e pela notável “proteção” de regras trabalhistas que mantêm a classe trabalhadora submetida a um modelo ultrapassado, fundado na tutela da relação de emprego, “deu” com uma mão e retirou com as duas justamente daqueles que afirma proteger.

O governo Lula reproduz, assim, em escala e proporções muito maiores, a contradição entre o discurso e a prática, tal como fazia em sua atuação nos tempos em que militava no Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo (SP).

Uma vez pelego, sempre pelego.

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