CAEMA QUEBRADA, DESIDRATA IMPERATRIZ

Cidade é a 101ª maior do Brasil, mas é só a 2.303ª. em cobertura de esgoto; de cada 1.000 moradores, 1,6 se interna com diarreia.

A Caema, Companhia de Saneamento Ambiental do Maranhão, é o que pode se chamar de principal transtorno do cotidiano imperatrizense. Dados oficiais, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, deixam claro que é ela o maior problema de saúde pública da cidade, na medida em que recolhe muito menos da metade do esgoto sanitário e deixa sem água portável mais de 40% da população.

Chega a ser estarrecedor; de cada 1.000 moradores de Imperatriz, 1,6 é internado, por ano, por causa de diarreia. Outras dezenas (ou centenas) que não se internam, são acometidas da doença que deriva da falta de esgotos e da ausência de água tratada. O que ocorre aqui se assemelha a registros de aldeias miseráveis do continente africano, tudo por culpa da Caema.


Desde domingo, mal se iniciou o verão de 2019, o rio ainda acima da sua cota média, Imperatriz vive um “apagão” no sistema d’água. A cidade está 100% desabastecida e a Caema nem se esforçou para buscar uma explicação mais plausível. Segundo nota emitida pela companhia, um curto circuito de energia elétrica causou a seca nas torneiras.

No ano passado, o auge desses cortes que duram dias e até semanas, se deram a partir de agosto. Agora, já se instalam na primeira quinzena de maio, 3 meses antes, o que significa dizer que, quando o rio baixar em níveis do período da estiagem, vai ser dramático viver aqui.

A CAEMA ENCOLHEU – Na década de 1.990, entre os governos de Epitácio Cafeteira e Roseana Sarney, quando se deram os últimos investimentos nos sistemas de água e esgotos de Imperatriz, a cidade chegou a ser 78% atendia pela Caema. Agora, 30 anos depois, a cidade cresceu e a Caema encolheu. Sucateada, feita de cabide de emprego e entregue a políticos tecnicamente desqualificados, a companhia é estruturalmente incapaz de dar conta do recado.

Não se vê investimento algum: a Caema, hoje, vive de fazer remendos em sua rede velha e de deixar rombos no asfalto da cidade. O que ela arrecada em Imperatriz (isso é um mistério) é 100% levado daqui, menos os trocados para os remendos toscos, porque tudo o que foi agregado em termos de esgotos e abastecimento d’água veio por conta dos PACs, Programa de Aceleração do Crescimento, e das perfurações e redes feitas pela prefeitura, com equipamento da Codevasf, em bairros e povoados.

Até em termos de Maranhão, o nosso sistema de água e de esgotos é perverso para com Imperatriz: a cidade é responsável pelo segundo maior faturamento da Caema, mas é só a sétima, dentre as 217 maranhenses, em cobertura de esgotos (dados do IBGE, no portal www.cidades.ibge.gov.br).

Em termos de Brasil, Imperatriz é a 101ª. em número de moradores, mas é só a 2.303ª. em cobertura de esgoto sanitário. Diz o IBGE que Imperatriz tem 48% de domicílios com esgotamento (incluindo as que têm fossas sépticas). O Portal www.meumunicípio.org.br atesta que a segunda maior cidade maranhense, com tudo o que arrecada para o Estado, tem 32,6% de domicílios ligados à rede da Caema. São Luís, 65,4%, mais do dobro em termos proporcionais.

Essa falta de eficiência da Caema faz com que Imperatriz só perca para 34 outros municípios maranhenses em termos de registros de casos de diarreia com internação hospitalar. É uma tragédia, se observarmos que estamos em 2019, que já fomos melhores nesse quesito, e que, dos últimos anos para cá, estamos vendo, cada dia mais, os chamados “esgotos à céu aberto” rolando por praticamente todas as ruas.

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